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RELIGIÃO. Folha de SP discute as cirurgias espirituais

CIRURGIA ESPIRITUAL

Procedimento não é consenso nem entre os adeptos do espiritismo; médiuns recomendam que tratamento convencional seja mantido

MORRIS KACHANI
DE SÃO PAULO

Cirurgias espirituais a distância a que o ator Reynaldo Gianecchini foi submetido recentemente, motivadas por diagnóstico de câncer que atinge gânglios linfáticos, trouxe à tona a questão: afinal, este tipo de procedimento funciona? A esse respeito não existe consenso, nem mesmo no meio espírita.
No Brasil, são pelo menos 2,3 milhões de adeptos e 10 mil centros espíritas. Destes, é apenas uma minoria que pratica o procedimento.
Mais comuns, e aceitos, são os passes, que consistem em uma espécie de terapia por meio da técnica de imposição/ energização das mãos.
“É complicado a pessoa ir ao centro pensando que vai realizar uma cirurgia. Não é bem assim. Era melhor fazer só passe”, afirma Marlene Nobre, presidente da AME (Associação Médico Espírita), que congrega médicos de formação acadêmica como ela, especializada em prevenção de câncer ginecológico e com passagem pelo Hospital das Clínicas.
Marlene considera apelativa a ideia de chamar de cirurgia o que consistiria numa espécie de passe mais potente e focado.
Mas, assim como seus colegas da AME, acredita no poder de cura mediúnico. “Posso relatar casos em que os resultados foram muito positivos. Não através da cirurgia espiritual, mas do dia a dia em que os passes são empregados. Você observa relatos de um tumor que desapareceu ou de casos dados como perdidos que ganharam anos de sobrevida.”
Ela própria diz já ter testemunhado a presença de espíritos materializados: “Eu tinha 11 anos, quando vi o espírito cuidando de um tuberculoso. Mas era para dizer a ele que se desapegasse porque estava na hora de partir”.
O reiki e a física quântica são citados como referências para o entendimento dos procedimentos espíritas. No caso das cirurgias, de acordo com ela, o problema é a instabilidade do médium.
“A cirurgia pressupõe que o médium tem mais bioenergia, mais capacidade para doar uma grande quantidade de fluido vital. Existem pessoas dotadas, mas o problema é quando se empolgam com os resultados e se sentem merecedoras de uma recompensa. Daí perdem a mediunidade.”
Há até quem cobre para realizar a cirurgia espiritual. Mas é ponto pacífico entre os espíritas que os médiuns não devem fazê-lo. Os tipos de cirurgia são dois -com ou sem cortes. O uso de bisturis e objetos perfurantes, sem assepsia, o que na prática pode resultar em infecção, é controverso.

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A cirurgia espiritual é um fenômeno tipicamente brasileiro. Registros similares só há nas Filipinas, de curandeiros que procedem de modo semelhante porém sem vínculo algum com a liturgia espírita que remete a Allan Kardec e à mitologia cristã.
Um médium famoso é João de Deus, que atua na cidade de Abadiânia (Goiás). Centros em Curitiba, Florianópolis e Rio chegam a receber mais de mil pessoas por semana para a realização das cirurgias.
É vasta e diversa a lista de celebridades associadas ao espiritismo: Carlos Vereza, Elba Ramalho, Scheila Carvalho, Caio Blat, o casal Paulo e Nicette Bruno. Em 87, Magic Paula, a jogadora de basquete, realizou cirurgia espiritual sem cortes para tratar de um problema no joelho.
Alguns médiuns têm origem humilde. Todos afirmam encarnar espíritos de médicos célebres já falecidos. Em muitos casos, a cirurgia espiritual é aplicada sem o conhecimento do quadro clínico do paciente.
A socióloga Celia Arribas, da USP, autora de estudo sobre o espiritismo, explica que entre os espíritas a doença é vista como uma espécie de prova ou falha cometida em alguma encarnação anterior (ou atual).
“É o carma -a lei da ação e da reação. Você vai pagar por aquilo que fez. A dor é uma prova, um ensinamento que envolve resignação e aceitação. E você só vai curar se tiver fé, se for merecedor. No fundo, é autocura”, diz.
Marlene Nobre acrescenta: “Toda origem da doença está na imperfeição da alma: ódio, intolerância, mágoa, falta de perdão”.

Médium do ator Gianecchini é de família católica

LEANDRO MARTINS
ENVIADO ESPECIAL A FRANCA (SP)

Responsável pelo tratamento espiritual do ator Reynaldo Gianecchini, 38, o médium João Berbel, 55, não se aproximou da doutrina espírita de imediato.
Nascido em família católica, resistiu às manifestações que ocorriam desde a sua adolescência na forma de crises epilépticas.
Aos 18 anos, viu o sonho de entrar para o Exército ser barrado pela doença. A aproximação com o espiritismo só ocorreu dois anos depois, após conhecer a mulher, Arlete. Um dia, no cinema, passou mal. Ela o levou ao espiritismo.
O homem que hoje atende a uma multidão no IMA (Instituto de Medicina do Além), em Franca (400 km de SP), diz não ter se sentido bem na primeira visita ao centro espírita. “Depois, vi que as crises eram por causa dos espíritos.”
O tratamento hoje oferecido no IMA começou em 1996, quando ele diz ter passado a receber o espírito de Ismael Alonso y Alonso (1908-1964), médico e ex-prefeito de Franca.q As primeiras cirurgias foram na sogra e em uma amiga que, segundo ele, tinha uma doença grave no coração. O trabalho foi em casa.
“Mas mulher, você sabe, não fica com a boca fechada. Ela falou para todo mundo.” Atualmente, são cerca de 3.000 pessoas por noite -de todas as classes sociais e religiões. A busca é de cura para doenças de câncer a obesidade.
Tudo é gratuito.
A multidão passa por consulta e cirurgia sem cortes. Incorporado, Berbel usa bisturi sem lâmina e faz movimentos no local da enfermidade.
Para quem não pode estar presente, como internados, o atendimento é à distância, mas com a presença de parentes. É assim no caso de Gianecchini. O ator passou por ao menos duas cirurgias dessas.
Onde quer que esteja, o paciente precisa deitar-se confortavelmente e entrar em “sintonia” com o médium. Ao lado é colocado copo com água -que recebe energia espiritual- para ser tomada depois.

Pesquisas mostram que pacientes com fé têm melhoras

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

A fé pode ajudar a curar doenças? Os dados científicos disponíveis -que não são muito numerosos nem estão isentos de controvérsia- sugerem que a resposta é um “sim” dos mais modestos.
A crença parece ser capaz de promover o bem-estar do paciente e ajudá-lo a enfrentar com mais sucesso uma enfermidade, mas efeitos miraculosos são um bocado raros e difíceis de provar.
O primeiro mecanismo aceito pelos médicos como uma influência positiva da fé religiosa sobre a saúde é social. Em geral, não se pratica uma religião sozinho, e a ida a igrejas, sinagogas ou terreiros insere a pessoa numa rede de proteção social, com orientadores espirituais e amigos que se importam com a situação médica dela e podem ajudá-la a se cuidar.
Pela razão inversa, sabe-se que gente solitária corre mais risco de morrer. Além disso, muitas religiões condenam o uso de álcool, o fumo e as drogas, o que também ajuda.
O outro fator é, no fundo, uma variante do que se costuma chamar de efeito placebo. Sabe-se que acreditar na eficácia de um medicamento ou tratamento faz com que, muitas vezes, ele tenha efeito, mesmo que na verdade seja uma substância inócua.
Do mesmo modo, a simples fé no poder benéfico da religião é capaz de trazer à tona as defesas do organismo, diminuir o estresse e fazer com que, otimista, a pessoa siga à risca o tratamento convencional, conseguindo se curar.
Os poucos estudos sobre o poder da oração indicam que o doente que reza é capaz de reduzir seus níveis de estresse, ansiedade e depressão.
Por outro lado, será que as orações de terceiros ajudam o paciente? O maior estudo feito a esse respeito até hoje teve um resultado irônico.
Em 2006, uma equipe da Universidade Harvard acompanhou mais de 1.800 pessoas que passaram por cirurgias de marcapasso. Elas foram divididas em três grupos: o primeiro recebeu orações de pessoas que iam a igrejas nos EUA, o segundo não foi alvo das preces e o terceiro recebeu orações e sabia que estava nas intenções dos fiéis.
O índice de mortalidade e complicações foi menor entre os que não receberam orações (51%) e maior entre os que entraram nas preces e sabiam disso (59%). Seja como for, a Sociedade Americana do Câncer alerta que a taxa de curas de tumores “pela fé” parece ser menor do que a do sumiço espontâneo da doença, um fenômeno conhecido, sem intervenção religiosa.

(Folha de SP)

 

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7 opiniões sobre “RELIGIÃO. Folha de SP discute as cirurgias espirituais

  1. Gláucia Lima em disse:

    S subou professora(mestre e doutora)auditora, cantora e escritora… e numa cirurgia de tireóide tive a prega vocalesquerda paralizada, coisa irreversível. minha voz mudou consideravelmente… porém, poucos meses depois,precisamente 3, João Berbel esteve em minha cidade, Fortaleza/CE, submeti-me a uma cirurgia espiritual (sem cortes, claro) conforme sua técnica. e, Testemunho o Milagre, pois como poucas vezes, presenciei a materialização da equipe médica espiritual e da cirurgia em si. Hoje minha voz está igual ou melhor que antes, levando as pessoas ou médicos a duvidarem que tenho tal paralisia, pois a prega continua paralisada, não tenho mais a mesma capacidade vocal de antes, mas a voz está PERFEITA. E não paguei nada, só AMOR. Sou holística não sigo nenhuma religião!

  2. João em disse:

    Discutir a fé ainda é algo bastante delicado. Sabe-se da importância do pensamento na cura, mas será que é possível atingir o espírito com algum procedimento terrestre? Boa noite.

  3. Gláucia Lima em disse:

    Sou professora (mestre e doutora), cantora e escritora… e numa cirurgia de tireoide tive a prega vocal esquerda paralisada, coisa irreversível. Minha voz mudou consideravelmente… porém, poucos meses depois, precisamente três, João Berbel esteve em minha cidade, Fortaleza/CE, submeti-me a uma cirurgia espiritual (sem cortes, claro) conforme sua técnica. E, testemunho o ‘milagre’, pois, como raríssimas vezes, presenciei a materialização da equipe médica espiritual e da cirurgia sem si. Hoje, minha voz está igual ou melhor que antes, levando a pessoas e/ou médicos a duvidarem que tenho tal paralisia, pois a prega continua paralisada, não tenho mais a mesma capacidade ou resistência vocal de antes. Porém, a voz está PERFEITA. E, não paguei nada, só AMOR, ainda recebi remédios… sou holística, entretanto, não sigo nenhuma religião. Sei sim, que a cura é da Alma, pois esta é que adoece e faz adoecer o corpo. Obrigada.

  4. Há anos atrás foi diagnosticado um mioma uterino de quase 8×10 e havia profundo sangramento no segundo dos três dias de menstruação. Meu ginecologista indicou a retirada do mioma mas a época me era muito desfavorável em virtude de um trabalho na Empresa que eu estava iniciando e que beneficiaria muito uma comunidade sendo impossível repassar para outro colega pois os prazos eram mínimos e perderíamos a verba. Uma amiga sabedora do meu caso me indicou o Centro Espírita Tupyara no Lins, RJ,RJ ao qual fui no dia seguinte sendo marcado um tratamento em minha residência com curativos semanais. Para minha surpresa ( sou de família espírita e católica, meu avô era dirigente espírita) o nome do médico que iria me tratar era João de Freitas por “coincidência” o mesmo nome do mentor de Dª Isabel Salmão de Campos cujas sessões no Rio eu frequentava assiduamente. E os dados do médico eram os dados do Dr. Freitas. Fiz exatamente como orientado e, já deitada, no primeiro dia vi um médico com fisionomia indígena seguido de outro e atrás deles o que iria me tratar. Seus olhos azuis eram pura luz, nunca havia visto igual.Apaguei na hora.
    No meio do tratamento tive séria intoxicação por camarão e já com a cirurgia para ser marcada o gastroenterologista que me atendeu pediu uma ultra já incluindo útero e ovários para que as levasse ao meu ginecologista. Simplesmente nada mais havia. O médico, de renome, que me fez a ultra ainda me disse que “toda mulher tinha mania de ter mioma” e me fez simplesmente refazer a ultra no mesmo dia.Nada.Não havia marca nenhuma e ele disse claramente que eu nunca havia tido mioma. Disse que as ultras anteriores estavam certas mas que ele também e que não queria saber o “porque”. Naquela hora tive consciência de que o que me acontecera fora por necessidade da comunidade a ser beneficiada, e o foi, e não mérito meu, e que um dia retiraria sim meu útero.
    Uns cinco anos mais tarde outro mioma em local oposto apareceu e fiz minha histerectomia. E dias antes da cirurgia vi sempre os olhos lindos azuis sendo a cirurgia de porte inclusiva com a presença de meu urologista.Tudo correu bem. Mas a dor local que tive na madrugada pós cirurgia, inexplicável, que fez com que tomasse forte analgésico com autorização do cirurgião e do clínico às 3horas da manhã sei que foi quitação de algo de vida passada que terminara naquela hora. Esta dor fina e forte eu a sentia desde criança; após este dia nunca mais a senti e ninguém tinha explicação para ela.Obrigada.

  5. Outro caso do Tupyara. Meu marido é católico e não acredita em espiritismo. De repente passou a ter algo como micro convulsões e fortes tonteiras várias vezes e não queria ir ao neurologista como pedira nosso clínico. Fui ao Tupyara marcar um tratamento para um amigo nosso que estava em avançado estado de câncer ( após o mesmo este amigo nunca mais teve dor e morreu suavemente).
    No Tupyara o senhor que dirigia as marcações e dava orientações me falou para marcar tratamento urgente para meu marido. Ponderei que ele era católico e que não aceitaria mas ele foi firme e segui sua orientação. Em casa meu marido concordou para minha surpresa e disse que o faria por mim mas que ficaria rezando Pai Nosso por ser católico e pediria a Jesus.
    Me preparei com ele e tive a visão mais bonita de minha vida. Vi sua mãe falecida chegar, colocar sua cabeça no colo e ambos mais três médico ficaram dentro de uma espécie de redoma de luz translúcida. Ao redor inúmeros espíritos conhecidos ( meu pai e meus tios, eram muitos – um revelou seu nome era antigo amigo de meu marido). Os médicos colocaram uma espécie de gel luminoso em sua próstata, depois na cabeça e que descia por trás e no lado direito do abdome e finalmente no peito esquerdo no alto.
    Um dos médicos falou para mim, “está terminado e não haverá necessidade de mais nada nem curativos.”
    Tudo se apagou e ele despertou. Falou que sentira muito como se sua mãe estivesse com ele, que rezara e que não iria fazer mais nada, contei o que acontecera. Ele acreditou e ficou feliz.
    Logo depois se submeteu a um tratamento de próstata com sucesso, aos 81 anos fez implante de válvula hidrocefálica e foi para o quarto com sucesso “céu de brigadeiro” palavras do neuro-cirurgião e mais tarde implantou com sucesso um marca-passo. Já passou por 3 ave’s isquêmicos e se recupera bem do terceiro. Os locais dos cortes das cirurgias foram exatamente os locais onde foram colocados o gel luminoso. Realmente ele foi preparado para o que se seguiria em sua vida e continua católico.

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  7. salete cavalcante em disse:

    estou lendo e estou maravilhada e gostaria de saber o que é gel luminoso?

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